Mostrando postagens com marcador ARTE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ARTE. Mostrar todas as postagens

23.4.12

W.J. Kennedy traz imagens inéditas de ANDY WARHOL

Photo by William John Kennedy- Warhol Flowers II

A obra de Andy Warhol é conhecidíssima: as múltiplas imagens ultra-gráficas de Marilyn Monroe, a banana do Velvet Underground ou a lata de sopa Campbell's, reproduzidas à exaustão, são recorrentes em nossa memória iconográfica pop. Boa parte de sua vida de jetsetter-pop-multimídia também já era conhecida, seja por seu livro auto-biográfico "The Philosophy of Andy Warhol (From A to B and Back Again)", publicado em 1975, seus próprios programas Andy Warhol’s Fifteen Minutes and Andy Warhol’s TV exibidos na MTV e TV a cabo, ou ainda seus vários auto-retratos. Suas inúmeras fotos feitas em Polaroid, clicando a si mesmo ou pessoas de seu convívio social poderiam render posts de Instagram, antecipando nas décadas de 70/80 as futuras chamadas redes sociais.







Agora Warhol reaparece em novos ângulos numa exposição de mais de 60 fotografias assinadas pelo fotógrafo de arte William John Kennedy e que ficaram guardadas por quase 50 anos.


A exposição foi inaugurada em Nova York dia 19 de abril (até 29 de maio de 2012). William John Kennedy nasceu em 1930 e atuou como freelancer em NYC com trabalhos para editoriais na LIFE Magazine e Sports Illustrated e campanhas para Avon, GE, IBM, American Express, Xerox e outros. Hoje vive em Miami.

As fotos (veja no site do curador, em preto e branco e em cores), ampliadas diretamente dos negativos sobre papel de fibra em tiragem de 60 cópias assinadas por Kennedy, transporta o espectador através de um dos momentos marcantes da história cultural e alguns dos personagens que moldaram o curso da arte americana na segunda metade do século XX.

As imagens insider dessa coleção foram clicadas quando William John Kennedy e sua esposa Marie iniciaram uma amizade com Andy Warhol e Robert Indiana, captando os dois artistas e suas obras mais emblemáticas do movimento Pop Art com ares de making of.

Também foi feito um documentário: "Full Circle: Before They Were Famous” (Círculo Completo: Antes Deles Ficarem Famosos), que faz uma crônica sobre o percurso das imagens, da época em que foram fotografadas até hoje.




Exibido em premiére na Art Basel Miami Beach 2010 e com depoimentos de Robert Indiana, Ultra Violet (uma das “superstars” de Warhol) e o poeta performático Taylor Mead contando particularidades, o filme é cheio de anedotas pessoais e lembranças que completam o quadro.

Andy Warhol é o artista-emblema da Pop Art e tem uma obra relevante, que flutua num universo entre a arte e o design. Com sua abordagem irônica, muitas vezes ácida e inteligente sobre ícones da sociedade de consumo, Warhol soube dela tirar proveito com a maior desenvoltura, quebrando “regras” do mercado da arte e transformando suas obras em “produtos” reproduzidos em escala serial de serigrafias e litografias ao alcance de muitos. Faz de si mesmo uma “marca”, transitando sem barreiras entre muitos meios de comunicação como um perfeito sef-promoter.



Dono de uma aguda percepção das possibilidades de manipulação da mídia, cunhou a famosa frase, que cai hoje como uma luva para um mundo que se curva aos reality shows: “No futuro todo mundo será famoso por quinze minutos” ("In the future everyone will be famous for fifteen minutes"). Certamente sua veia “publicitária” foi cultivada cedo, pós-faculdade e ainda como ilustrador das revistas Vogue, Harper's Bazaar e The New Yorker, as revistas mais cult da época, e como diretor de arte para peças publicitárias e displays para vitrines de lojas.

Entre os anos 60 e 70, numa NY agitada por muita experimentação de drogas, seu estúdio “Factory” (Fábrica) em Manhattan era o “point” da galera underground e descolada, entre drag-queens, modelos, atores de Hollywood, gente de teatro, rockers e boêmios em geral. Pessoas como Lou Reed, Bob Dylan, Mick Jagger, Truman Capote e Allen Ginsberg andavam por lá.


No meio dessa roda-viva social de  moda, sexo, drogas e rock’n’roll, alguns “menos famosos” tornavam-se “queridinhos” de Warhol e eram alçados à condição de seus “superstars” – um termo dele. Num jogo de fama e culto à imagem, fotografava ou fazia filmes curta-metragem com essas pessoas, transformando-as em celebridades (fatalmente) “temporárias”. Alguns não suportaram o processo de ascensão e queda (poderia ser chamado de manipulação?) virtualmente temperado por "aditivos", como a deprimida modelo-musa Edie Sedgwick, que suicidou-se aos 28 anos em 1971. O filme Factory Girl (Uma Garota Irresistível), conta uma versão dessa história, sob protestos de Bob Dylan que o considerou difamatório.


Acima, o trailer de BEAUTIFUL DARLING, documentário com entrevistas com Fran Leibowitz e John Waters, sobre a vida de Candy Darling que sonhava ser uma nova Kim Novak e acabou tornando-se uma das “superstars” de Warhol. Distribuido por Corinth Films, lançado em DVD em 31/jan/2012.

Por outro lado, Warhol foi mentor e definitivamente impulsionou a carreira de outros artistas do cenário da nova-iorquino da pop art: Keith Haring e Jean-Michel Basquiat,  ambos com abordagens vindas do graffiti. Sobre este último, vale assistir ao filme “Basquiat”, de 96, com elenco estelar e David Bowie no papel de Andy Warhol. Ou ainda o filme documentário “Downtown 81” (ou New York Beat Movie), de Edo Bertoglio, com Basquiat atuando e várias participações especiais, como de Kid Creole and the Coconuts. A trilha sonora tem vários colaboradores, entre eles, John Lurie e Grey, a banda do próprio Basquiat.



Uma conclusão que custei a ter mas me foi muito útil: é preciso saber separar o atista de sua obra. Devo admitir que, por pura idiossincrasia, sinto algum desconforto em relação à pessoa  de Andy Warhol (1928 –1987). Convenhamos que isso é o tipo de dado totalmente irrelevante e quase bizarro, já que, distante por muitos quilômetros e algumas décadas, jamais o conheci pessoalmente. É preciso reconhecer que, de uma forma ou de outra, o artista Warhol foi um visionário à seu modo e soube como ninguém se perpetuar para muito além daqueles quinze minutos.

7.11.11

Alexandre Orion e a METABIÓTICA




METABIÓTICA – Alexandre Orion Editora: 80 páginas, cor – formato 30 x 30 cm. Capa flexível com caixa especial edição português/inglês/espanhol/francês. Textos de Boris Kossoy, Walter Firmo, Diógenes Moura e Tristan Manco ilustrados com imagens das intervenções urbanas de Alexandre Orion (fotografias das obras do projeto Metabiótica) Valor de venda: R$ 70,00 (setenta reais)



Em 2006, procurando temas para colaboração na revista STREET (veja no rodapé) "topei" com o trabalho de Orion que achei muito bacana. Depois de uma correspondência Rio-São Paulo para apurar detalhes com ele, escrevi esta resenha que resolvi publicar aqui com o acréscimo de vídeos. Porque vale a pena.

Alexandre Orion é um artista de São Paulo que já foi tatuador e que vem criando interferências com sua arte pelas ruas da cidade já há algum tempo, desde 1995. Designer, artista plástico e fotógrafo, trabalha a estética street em espaços "oficiais" quando expõe em galerias, tendo obras adquiridas pelo acervo da Pinacoteca de São Paulo, onde lançou dia 9 de dezembro seu primeiro livro METABIÓTICA (Editora Via das Artes/apoio EGM Gráfica), ou mesmo recebendo prêmios – mas também paralelamente num grafite inusitado pelas ruas, sem preocupação com a fronteira do ser-ou-não-ser maldito.


A despeito de ter um site próprio, onde divulga seu trabalho, e até já ter dado entrevista para a MTV (inversamente ao estilo low profile de um Banksy, cultuado por tantos grafiteiros que adotam o anonimato), a qualidade de seu trabalho e a coerência de seu discurso merecem atenção.



Um exemplo de sua intervenção nas ruas foi o trabalho "Ossário"(veja o vídeo mais abaixo) produzido sobre cerca de 200 m de paredes internas do túnel Max Feffer, na capital paulista, entre as avenidas Europa e Cidade Jardim, noites adentro, a partir de julho de 2006. Ao invés do spray, a técnica usada foi a raspagem de camadas de fuligem, retirando pacientemente tudo o que "não" era o desenho e fazendo surgir, do contraste das áreas limpas e sujas, grandes caveiras contemplando os vivos.



Já que limpeza não é crime, a polícia não pôde impedir o trabalho, mas interferiu dezenas de vezes, num jogo de gato-e-rato com Orion, que chegou a recomeçar o trabalho em outros túneis, depois que uma equipe da Prefeitura, acompanhada da CET e da Polícia Militar providenciou a limpeza das paredes - contraditoriamente, somente na área "grafitada", deixando permanecer a sujeira inexpressiva e a poluição mortal que o trabalho de Orion sublinhava no resto do túnel. 



A ironia do trocadilho do próprio Orion em seu texto reflete a postura crítica perante a realidade que nos cerca: "A sociedade existe, a imagem a funda. A imagem existe, a sociedade afunda". 


O livro é o desdobramento do trabalho iniciado em 2004, que gerou uma exposição naquele ano. O nome Metabiótica vem de uma superposição de palavras: meta, transposição, após; bi + ótica, ótica dupla, duas visões. Algo além de duas visões, um jogo de linguagens: grafite, fotografia e um objetivo por trás disso. 

Trata-se de fotografias compostas pela justaposição dos grafites feitos por Orion em técnica de estêncil pelas ruas somadas a situações espontâneas surgidas da interação entre eles, flagradas no momento certo após longa e paciente espera do artista. As imagens criam um diálogo paradoxal entre o virtual e o real, o efêmero e o permanente, simplesmente sendo poéticas, bem-humoradas ou críticas.

Leia mais aqui (Wooster Collective).

Abaixo, um vídeo de 2010 sobre o trabalho OSSÁRIO: Orion reproduziu em uma galeria de arte uma exposição documental os desenhos e todo o clima dos túneis que, curiosamente depois da intervenção urbana, passaram a ser limpos periodicamente pela Prefeitura. 

Aqui, neste vídeo de 2006, Orion se apresenta como artista: seu backgound, suas metas para o futuro,  o processo de trabalho em Metabiótica. 
 

Confira outros posts sobre cultura pop aqui.
Quer mais sobre street art e graffiti? Em Graffiti: Make Art, Not War: Banksy e OsGemeos.
_____________________________________________________________________

Em 2006 uma revista bacana estava sendo lançada aqui no Brasil. Era a Street Magazine, com foco na cultura de rua, matérias sobre grafite, livros, comportamento, arte, moda... O jornalista Lula Rodrigues, como editor chefe, escalou um supertime: na revista # 1 vinham uma entrevista com Marcelo D2, fotos tiradas pelo celular de Cora Rónai, resenha de Tom Leão...por aí vai. Infelizmente como zilhares de projetos editoriais locais e nossa conhecida realidade econômica, a revista não prosseguiu.

Fui convocada como colaboradora e escrevi algumas matérias, algumas das quais esqueci na gaveta. De repente lembrei que, mesmo passado algum tempo, são coisas que valem a pena divulgar. Esta resenha é uma delas.

Aliás, para quem não sabe, Lula Rodrigues conta literalmente tudo sobre moda masculina no seu blog Moda Masculina Em Foco (O Globo).

7.3.09

A gente não quer só comida...

Um capítulo a parte nessa "visita guiada" ao Galpão Aplauso foi encontrar o galpão de artes plásticas. Conhecido pelo sugestivo nome de "Centro Espacial" tem como coordenador ninguém mais que Vik Muniz.

Vendo aquela pequena exposição montada pelos jovens alunos foi possível perceber que a sensibilidade bem conduzida pode gerar grandes e gratas surpresas. Quisera fosse possível trazer muito mais deste tipo de estímulo para a grande massa da população. Haviam idéias ali que, se tivessem a oportunidade de seguir seu curso de amadurecimento, poderiam vir a participar num futuro de qualquer importante salão de arte contemporânea. O entusiasmo, o questionamento e a consciência artística na busca estética já estavam claros. São sementes plantadas. Uma pena que não havia trazido comigo uma câmera.

Para tentar ilustrar, recolhi imagens da primeira edição da mostra do Centro Espacial do próprio site do Galpão Aplauso, em torno da mesma época da minha visita ao local.

Um tempo depois, buscando saber mais vi que novas mostras e eventos se seguiriam, como uma participação na exposição do INMETRO na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2009. Reproduzo aqui a descrição do site: "Os jovens do Centro Espacial participaram desde a concepção da exposição à montagem final. E trouxeram a linguagem urbana através do grafitti e intervenções visuais e a tecnologia com a produção de filmes que foram assistidos pelo público dentro da exposição."

Ao longo do tempo, como vim a descobrir, outros desdobramentos surgiram desta interface Vik + Centro Espacial/Galpão Aplauso, como uma parceria com a Lancôme, que patrocina o Centro, e a grife Raia de Goeye: uma camiseta com edição limitada e venda revertida para o projeto. Mas o Centro Espacial é "escondido" mesmo, como é dito neste trecho da reportagem do Fantástico, que mostra um pouco a dimensão da coisa. Depois daquela visita, não ouvi muito mais a respeito do Galpão Aplauso.





O que fica de tudo isso é a certeza de que essas experiências de arte vivenciada trarão frutos para toda a vida na alma desses garotos. É outra perspectiva que se abre. A vida é dura, mas "a arte salva".

Abaixo, uma experiência de stop motion feita pelos alunos do Centro Espacial, exposta naquele evento INMETRO da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.

1.3.09

Never Mind The Pollock: just play him!


ou "Como brincar de Pollock por 1 dia"

Brinque de Pollock pintando com o mouse clicando AQUI. Uma dica: cada clique troca a cor e a rapidez muda a intensidade. Também dá para baixar uma versão para o iPhone. Use a intuição e DIVIRTA-SE... !

Jackson Pollock (1912-1956), artista americano representante do Expressionismo Abstrato, disse certa vez: "Quando estou em minha pintura, não tenho consciência do que estou fazendo". Pollock, que fez terapia junguiana, explorava em seu trabalho a espontaneidade de gestos, abolindo o cavalete e preferindo esticar a tela no chão, enquanto improvisava efeitos de respingos de tinta como expressão pessoal do próprio ritmo. "Antes da ação, não há nada: nem um sujeito, nem um objeto." - dizia; " Quero expressar meus sentimentos mais do que ilustrá-los"..."não há acaso, assim como não há começo meio e fim".

Sua técnica de pintura recebeu o nome de "Action Painting" (Pintura em Movimento) do crítico Harold Rosenberg, em 1952.
Irriquieto e temperamental, Pollock teve a carreira impulsionada pela esposa e também artista Lee Krasner, mas tinha problemas de alcoolismo e acabou morrendo cedo, aos 44 anos num acidente de carro. O filme biográfico "Pollock" (2000) dirigido pelo ator Ed Harris, que faz o próprio, é bem legal para saber mais sobre ele. Abaixo, o verdadeiro Pollock em ação.